7 - Wiki: Conhecendo algumas doenças transmitidas por cães e gatos
Esta Wiki será um espaço para vocês possam falar sobre a Etiologia, sinais clínicos no homem e nos animais, como ocorre a transmissão do animal para o homem e prevenção das seguintes doenças:
- Toxocaríase - Larva Migrans Visceral
- Ancilostomatíase (Larva Migrans Cutânea)
- Ascaríase
- Toxoplasmose
- Raiva
- Leptospirose
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Tercilia
Doenças transmitidas por cães e gatos
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Modificado: 14 novembro 2014, 22:46 PM Usuário: Carla Janete Fernandes Olsen →
Toxocaríase (Larva Migrans Visceral): é uma doença causada pelos parasitas nemátodes Toxocara canis, cujo hospedeiro definitivo é o cão; e Toxocara cati, do gato. A toxocaríase costuma provocar uma infecção relativamente ligeira nas crianças entre 2 e 4 anos, mas as crianças maiores e os adultos também podem ser infectados. Os sintomas podem começar depois de várias semanas de infecção ou então podem retardar vários meses, dependendo da intensidade e do número de exposições e da sensibilidade da pessoa às larvas. Em primeiro lugar surge febre, tosse e respiração sibilante (silvos) e aumento de volume do fígado. Algumas pessoas têm uma erupção cutânea, tumefação do baço e pneumonias de repetição. As crianças mais velhas tendem a apresentar sintomas ligeiros ou então nenhum, mas é possível que desenvolvam uma lesão ocular que diminui a visão e que pode ser confundida com um tumor maligno do olho.O médico pode suspeitar da presença de toxocaríase numa pessoa com valores elevados de eosinófilos (uma variedade de glóbulos brancos), fígado aumentado, inflamação dos pulmões, febre e níveis de anticorpos no sangue elevados. A análise de uma amostra de tecido hepático obtida a partir de uma biopsia pode revelar a presença de larvas ou então de inflamação provocada pela dita presença. A transmissão ocorre quando os ovos do parasita amadurecem no solo contaminado por fezes de gatos e cães infectados. Os recintos cheios de areia para as crianças, onde os gatos costumam defecar, são muito perigosos. Os ovos podem ser transferidos diretamente para a boca se uma criança brinca em montes de areia contaminada e a come. Uma vez engolidos, os ovos amadurecem no intestino. As larvas atravessam a parede intestinal e o sangue dissemina-as. Quase todos os tecidos do corpo podem ficar infectados (sobretudo o cérebro, olhos, fígado, pulmões e coração). As larvas podem continuar vivas durante vários meses, causando dano ao migrarem para os tecidos e ao provocarem inflamação à volta destes. A prevenção da infecção pode ser evitada ao tomar cuidados de higiene; não deixar o cão ou gato defecar em locais onde podem brincar crianças; limpar regularmente a caixa de areia do gato e lavar sempre as mãos antes de comer. Os recintos com areia deverão ser cobertos quando não estiverem a ser utilizados, para evitar que o animais ali defequem. Controlar as infecções dos gatos e cães utilizando vermífugos recomendados por um médico veterinário; lavar bem verduras e legumes que podem conter ovos do verme; e não consumir carnes cruas ou mal passadas que podem conter a larva do toxocara nos tecidos.
Ancilostomatíase (Larva Migrans Cutânea): popularmente conhecida como amarelão, é uma doença causada pelo verme Ancylostoma duodenale, que provoca lesões na pele, como coceira, irritação e vermelhidão. Nos casos mais graves, a ancilostomíase pode causar hemorragia no fígado, tosse, febre, anemia, perda de apetite e fadiga.A transmissão é feita através da penetração do parasita através da pele, principalmente pelos pés, mãos, pernas, nádegas, ou então pela ingestão dos vermes em alimentos contaminados mal cozidos ou lavados. Indivíduos que moram em zonas rurais têm maior probabilidade de serem infectados devido ao constante contato com o solo ao andar descalço. Essa doença pode ser controlada, seguindo algumas dicas como a utilização de calçados (sapato ou sandália), evitando o contato direto com o solo contaminado; o fornecimento de infraestrutura básica para a população, proporcionando saneamento básico e condições adequadas de higienização; ter o máximo de cuidado quanto ao local destinado ao lazer das crianças, pois acabam brincando com terra; educação da comunidade, bem como o tratamento das pessoas doentes.
Ascaríase: é uma doença infecciosa causada pela presença da Ascaris Lumbricoide, popularmente chamada de lombriga. Ela habita os intestinos, mas pode estar presente em outros órgãos, como o coração, pulmão e fígado. A lombriga habita principalmente os intestinos, onde obtém os meios propícios para a sua sobrevivência e multiplicação. Os sintomas de ascaridíase podem ser: dor abdominal, enjoo e dificuldade em evacuar. Estes sintomas são mais facilmente percebidos quando a quantidade de vermes que o indivíduo possui é muito grande, pois quando se trata de pequenas quantidades, não há sintomas. A forma de contágio da ascaridíase ocorre através da ingestão dos ovos do parasita na água ou nos alimentos contaminados. Para evitar a contaminação com a lombriga recomenda-se a correta lavagem e preparação dos alimentos, medidas de saneamento básico, não andar descalço e uma boa higiene pessoal.
Toxoplasmose: é uma doença infecciosa, congênita ou adquirida, causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes dos gatos e outros felinos. Homens e outros animais também podem hospedar o parasita. A toxoplasmose pode ser uma doença absolutamente assintomática ou provocar quadros graves no miocárdio, fígado e músculos, encefalite e exantema máculo-papular (vermelhidão pelo corpo em forma de pequenas manchas e pápulas). No caso de haver sintomas, merecem destaque: febre, manchas pelo corpo, cansaço, dores no corpo, linfadenopatia, ou seja, ínguas espalhadas pelo corpo, dificuldade para enxergar que pode evoluir para cegueira, lesões na retina. A toxoplasmose pode ser adquirida pela ingestão de alimentos contaminados — em especial carnes cruas ou mal passadas, principalmente de porco e de carneiro, e vegetais que abriguem os cistos do Toxoplasma, por terem tido contato com as fezes de animais hospedeiros ou material contaminado por elas mesmas. A toxoplasmose pode ser transmitida congenitamente, ou seja, da mãe para o feto, mas não se transmite de uma pessoa para outra. Algumas recomendações para prevenir: evitar contato com fezes de animais, especialmente de gatos ou outros felinos; ter cuidado com a higiene das mãos e dos utensílios de cozinha quando estiver lidando com alimentos, não comer carne mal passada nem vegetais mal lavados, não se descuidar do acompanhamento pré-natal, se estiver grávida. Toxoplasmose é uma enfermidade grave durante a gestação; Gestantes precisam estar atentas, principalmente se tiverem contato com gatos. Medidas especiais de higiene são fundamentais nesses casos.
Raiva: é causada por vírus pertencentes a família Rabdoviridae (do grego rábdos, “vara”, “bastão”), do gênerolyssavirus (em grego, lyssa “loucura”).Raiva é uma infecção viral mortal que é transmitida principalmente por animais infectados. Os sintomas podem incluir: babar em excesso, convulsões, sensibilidade exagerada no local da mordida, excitabilidade, perda de sensibilidade em uma área do corpo, perda de função muscular, febre baixa, espasmos musculares, entorpecimento e formigamento, dor no local da mordida, agitação, dificuldade de engolir (beber algo provoca espasmos da laringe). A transmissão ocorre quando a saliva animal infectado (como cães, gatos, morcegos, animais silvestres, etc) entra em contato com o ser humano ou outro animal através de mordeduras, lambidas de feridas, arranhões, dentre outros. Outras formas mais raras de transmissão são através da placenta e aleitamento, via respiratória e transplante de córnea, em humanos.Na raiva urbana, os principais reservatórios são o cão, seguido do gato. Os principais reservatórios selvagens são lobos, raposas, morcegos e coiotes. A prevenção da raiva se dá através da vacinação. É importante também vacinar o animal de estimação (cachorros, gatos, etc), uma vez que grande parte da transmissão da raiva para humanos se dá por cães e gatos.
Leptospirose : é uma infecção aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria do gênero Leptospira, que é transmitida por animais de diferentes espécies (roedores, suínos, caninos, bovinos) para os seres humanos. Esse micro-organismo pode sobreviver indefinidamente nos rins dos animais infectados sem provocar nenhum sintoma e, no meio ambiente, por até seis meses depois de ter sido excretado pela urina. A doença pode ser assintomática. Quando se instalam, os sintomas são febre alta que começa de repente, mal-estar, dor muscular (mialgias) especialmente na panturrilha, de cabeça e no tórax, olhos vermelhos (hiperemia conjuntival), tosse, cansaço, calafrios, náuseas, diarreia, desidratação, manchas vermelhas no corpo, meningite. Em geral, a leptospirose é autolimitada, costuma evoluir bem e os sintomas regridem depois de três ou quatro dias. Entretanto, essa melhora pode ser transitória. Icterícia, hemorragias, complicações renais, torpor e coma são sinais da forma grave da doença, também conhecida como doença de Weil. O contágio se dá pelo contato direto com a urina dos animais infectados ou pela exposição à água contaminada pela Leptospira, que penetra no organismo através das mucosas e da pele íntegra ou com pequenos ferimentos, e dissemina-se na corrente sanguínea. No Brasil, os ratos urbanos (ratazanas, ratos de telhado e camundongos) são os principais transmissores da doença e o número de casos aumenta na estação das chuvas, por causa das enchentes e inundações. Infelizmente, o risco não desaparece depois que o nível das águas baixa, pois a bactéria continua ativa nos resíduos úmidos durante bastante tempo. Para prevenir a doença devemos observar as medidas básicas de higiene, embalar bem o lixo, ferver a água ou colocar algumas gotas de hipoclorito de sódio ou de água sanitária antes de beber ou cozinhar, lavar bem os alimentos, especialmente frutas e verduras que serão consumidas cruas, vacinar os animais e manter rigorosamente limpas as vasilhas em que são servidos alimentos e água, não deixar as caixas d’água destampadas, usar luvas e botas de borracha se trabalhar em ambientes que possam ser reservatórios da Leptospira, não se automedicar, se suspeitar de infecção pela bactéria da leptospirose.